quinta-feira, 21 de agosto de 2008

E, agora, chegara a hora de ser ela mesma, se soltar do que sempre a impediu de crescer e ser mais. Fácil não iria ser, mas ela já estava mais corajosa e quem sabe até mais pronta pra se soltar dessas amarras! O que mais a prendia na realidade era ela mesma que se impunha regras estúpidas e imagens erradas do mundo e das pessoas com quem ela convivia. Além de ter um tipo de consciência que não a deixava fazer nada expressamente proibido, suas atitudes tinham que fazer algum sentido pelo menos para si e, para isso, tinham de ser pensadas e repensadas. Pouco ela fez que não lhe fosse autorizado, pouco mentiu.. mas arrumou formas de enganar sua consciência e ser adolescente, em vez de mentir omitiu e em vez de enganar, escondeu. Não foi certinha a vida inteira, mas nunca tinha feito algo que só ela queria.
Fez, e então.. agora era tudo diferente! Aquilo era um ponto final na vida que havia sido e um ponto inicial na vida que viria pela frente. Podia ser pequeno mas lhe trazia uma imensidão de orgulho e prova de que poderia fazer suas próprias escolhas e elas não estariam sempre certas, lógico. Mas também não teria que escutar os outros a vida inteira, pois tinha confiança que poderia, como tinha feito agora, escolher certo!

domingo, 17 de agosto de 2008

E a rotina dominava a sua vida, engolfava suas esperanças de mudança e seu espiríto alegre que insistia em acreditar num futuro diferente. Tudo parecia tão igual, à ontem, à anteontem, à um ano atrás. Mas mesmo assim tão diferente, o que era supresa agora é cansativo... o que era energia só a esgotava. Parecia que tudo que ela pensava fazer, já havia sido feito antes.. diversas vezes!
Ela teria que ver essas mesmas coisas com um óculos diferente, analisar detalhes que antes passaram despercebidos, mas ela iria precisar da ajuda dele. Ele iria ter que querer uma mudança na rotina também... mas ela tinha medo de propôr-lhe, como ele aceitaria tudo isso? Ele poderia considerar que ela não o queria mais e não era assim. Ela o queria perto, mas não tão perto a ponto de sufocar. Queria fazer coisas com ele, mas não as mesmas.
Eles precisavam mudar juntos algumas sutilezas que fariam tudo se encaixar novamente, como fazia quando tudo era novo!

sábado, 16 de agosto de 2008

Ela gostaria de ser mais, e quem não gostaria? Mas não mais como mais rica ou esbelta, mais magra ou popular. Mais humana, mais inteira, mais melhor! Ela queria querer o que pode ter e se satisfazer com o que consegue, queria poder conseguir mais, se esforçar mais, querer mais. Então tudo pareceria se encaixar. Mas poderia ela ser melhor? Na realidade, assim, sem máscaras ou óculos? Isso ela não sabia, mas tinha uma desconfiança que não. E isso a decepcionava da ponta dos pés ao último fio de cabelo. Ela não era quem queria ser, era pior. Talvez sempre tivesse sido mas só agora reconhecia esta triste realidade, talvez ela pudesse se virar com o que tinha de si, mas por quanto tempo? Algo poderia fazê-la melhor? Ou só ela poderia? Poderia ela?
Perguntas de mais, respostas de menos, sempre tinha sido assim, só que as perguntas foram ficando mais complexas e as respostas mais escassas. Ela ainda tinha muita vida pela frente, quem sabe tudo poderia mudar com o passar de uma brisa. Ou melhor, com o passar de uma ventania, pois o tipo de mudança que ela esperava era drástica, o mundo todo teria que mudar. Ou talvez só ela...